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As Dificuldades De Uma Viagem Para Shimla

A aventura de uma viagem de carro de Nova Delhi a Shimla. Saída da Capital bem cedo pela manhã. Parada para o almoço em Amritsar, no Punjab. Continuação da viagem e o desafio das dificuldades da [...]

Taj-Mahal As Dificuldades De Uma Viagem  Para Shimla

Taj-Mahal As Dificuldades De Uma Viagem  Para Shimla

Eu ainda não havia lido o livro de Dale Carnegie How to Stop Worrying and Start Living, quando empreendi a minha primeira longa viagem de carro. Você consegue  adivinhar onde? Isso mesmo nos contrafortes da cordilheira do Himalaia, na Índia. Eu era servidor da Embaixada do Brasil em Nova Délhi. Recém-chegado àquele País, tinha acabado de tirar a carteira de motorista e de comprar o meu primeiro carro, um Corolla, marca Toyota,  se não me engano a potência era 1.5, no ano de 1976.

Carros indianos, em 1976

Os carros indianos na época eram apenas de dois tipos:  um, o Fiat, de produção local,  com potência 1.1 e o outro, o Ambassador, de fabricação genuinamente indiana e que aparece na segunda imagem abaixo,  no interior do Red Fort (Fortaleza Vermelha) em Nova Délhi. Carros importados, como os da Toyota e de outras marcas, eram usados apenas pelo pessoal do corpo diplomático e servidores das Embaixadas.

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Corolla 1976

Minha mulher e eu estávamos felizes por termos conseguido tirar a nossa primeira carteira de motorista, lá na Índia mesmo, com direção do lado direito do veículo e tudo mais. Era uma viagem longa para nós, marinheiros de primeira viagem, e nós não sabíamos exatamente qual a distância. As informações naquela época não eram facilmente encontradas na Índia.

Decidimos fazer uma viagem de fim-de-semana prolongado, sem maior planejamento, e mesmo sem pedir informação a outras pessoas, éramos jovens destemidos, recém-casados e inexperientes e com um Inglês apenas razoável. Fizemos outras viagens lá nesses mesmos moldes.

Por exemplo, chegamos a atravessar o deserto do Rajastão, essa palavra,  em Hindi e até mesmo em Sânscrito, significa deserto, sem levarmos uma gota de água sequer dentro do carro.

Nova Délhi, início da jornada para Shimla

Deixamos Nova Délhi pela manhã bem cedo, não conhecíamos a estrada, que, aos poucos,  se revelou de boa qualidade,  sabíamos que passaríamos por Amritsar, no Punjab. A distância de Nova Délhi a Amritsar, era desconhecida por nós.

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Red Fort, Nova Délhi

 

Tínhamos planejado almoçar lá e conseguimos realizar o nosso intento.

Punjab significa 5 rios e talvez devido à presença desses rios no Estado, O Punjab se destaca como uma região rica na Índia. Seus habitantes despontam como grandes empreendedores e empresários. Essa região chama atenção pelo grande número de homens, os “sardar”,  que usam turbantes, costume de origem religiosa e que se tornou símbolo dos indianos, fora da Índia.

Amritisar, pausa para o Almoço, destino Shimla

Até lá a viagem  correu muito bem, chegamos a Amritsar ainda em hora do almoço.

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Golden Temple, Amritsar

 

Após almoçar, visitamos alguns pontos da cidade, que fica numa região bem plana e lembra de certa forma Brasília.  Essa cidade foi também planejada e dividida em setores, tal como Brasília. Le Corbusier foi seu arquiteto, personalidade que influenciou igualmente o urbanismo e a arquitetura de Brasília.

Após o descanso do almoço, nos apressamos para chegar logo a Shimla, nosso destino final. Não estava longe, era o que pensávamos, calculei que chegaríamos lá em poucas horas.

O caminho montanhoso para Shimla

Partimos rumo a Shimla com pouca informação e muito entusiasmo. Não demorou muito e notamos que estávamos sempre subindo, o tempo todo era só subida, subida e mais subida.  Não havia mais estrada plana como fora o primeiro trecho até Amritsar. Um caminho estreito e ameaçador, as ultrapassagens de um carro por outro eram muito temidas por nós.

De um lado havia a montanha, do outro um abismo, sempre muito profundo. Fiquei surpreso e atemorizado e não demorou muito para que o carro desce sinal de aquecimento. Eu não sabia exatamente o que fazer, e o que fizemos foi parar de vez em quando para esperar o motor do carro esfriar um pouco.

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Tão inexperientes éramos que nem água para beber levamos no carro. O que comemorávamos era o pouco movimento da estrada, era muito raro encontrar outro carro quer indo, quer vindo, isso já nos trazia muito alívio.

Tínhamos a impressão de que o caminho só estreitava. Passadas algumas horas depois de Amritsar, nos deparamos com uma passagem muito estreita, do lado da montanha havia um desmoronamento de um barranco, invadindo a estrada do lado esquerdo, do outro lado, o do abismo, havia uma erosão que destruíra um bom pedaço da estrada.

A passagem mal dava para um carro. Naquele momento decidi voltar, desistir de conhecer a tão famosa e badalada cidade de Shimla, orgulho de muitos indianos em Nova Délhi.

Mas como fazer? Como manobrar o carro naquelas circunstâncias,  naquele caminho estreito e diante de um abismo imenso, não tínhamos habilidade suficiente para isso. Só restava a opção de seguir em frente. Não tendo outra alternativa, seguir em frente foi a solução, consegui, com o coração pulsando muito forte,  vencer aquela  passagem estreita com muito medo, mas sem sofrer um arranhão.

Tão logo me vi do outro lado, já comecei a me preocupar com a viagem de volta, como faria para passar ali de novo? Essa preocupação me acompanhou daí em diante por todo o fim de semana. Esse pensamento não me largou mais.

Shimla, o destino final

De sobressalto em sobressalto finalmente chegamos a Shimla por volta do anoitecer, sob forte neblina e fazia um frio intenso. Tínhamos vencido uma batalha árdua e desafiadora.

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Shimla

Shimla foi a nossa recompensa, vale a pena conhecê-la é uma cidade linda, agradável e aconchegante. Os ingleses a escolheram-na  como capital do Império Britânico na Índia durante o verão, por ser muito quente em Nova Délhi, com temperaturas de 44ºC.

Ao lançar um olhar para traz e ao mesmo tempo aproveitar a a imagem do livro de memórias do famoso economista Roberto Campos, Lanterna na Popa, isso mesmo coloco a lanterna na popa para iluminar o meu passado, e me vejo na posição de hoje em dia, chego à conclusão de que eu jamais faria aquela viagem se fosse hoje.

O fato é que hoje não consigo subir de carro nem pequenas montanhas. Não sei o que aconteceu comigo, mas tenho muito medo de altura.

Ao mencionar o livro de Dale Carnegie, que muitos consideram psicologia barata e de pouca importância, como outros também consideram O Pequeno Príncipe um tipo de filosofia simplória, quero registrar que dele retirei uma lição muito importante para toda a minha vida.

Essa lição me evitou a morte em outro episódio de grande perigo também na direção de um outro carro.

O ensinamento do livro How to Stop Worrying and Start Living, citado em passagem anterior, é de que ao enfrentarmos uma situação de extremo perigo e, nos julgarmos incapazes de resolvê-la adequadamente a nosso favor, não devemos entrar em pânico.

O que temos de fazer é cooperar com o inevitável, isto é não desperdiçarmos nossas energias lutando contra o impossível. Devemos continuar normalmente firme nas nossas ações e esperar o momento em que no seu desdobramento algo inesperado  ocorra a nosso favor.

Essa atitude nos favorece e permite acontecer o milagre. Como disse antes, lembrei-me desse ensinamento, numa situação onde eu não tinha a mínima saída, apliquei-o, e aquilo que me parecia impossível,  aconteceu e saí incólume.

Ao retornar da viagem de Shimla, a terra que invadira a estrada já não estava mais lá, na viagem de volta, não havia mais aquele perigo imenso da passagem estreita, entre montanha e despenhadeiro. O retorno foi  bem mais tranquilo, uma maravilha que se juntava às excelentes lembranças, que trazíamos na memória, de Shimla.  Do Palácio do antigo Marajá, tornado hotel, onde nos hospedamos confortavelmente.

 

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Professor de Português, Inglês e Matemática. Resolvi através deste blog compartilhar o que tenho aprendido sobre negócios digitais e marketing. Espero que gostem do conteúdo!

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